Ela quer um par de sapatos!

mulher a ver sapatos

Precisava de um par de sapatos. Pretos. De salto alto. Elegantes, mas discretos. Liguei o computador. Alguns segundos depois, o sinal de rede ligou, automaticamente. Abri o browser, e lá fui eu à procura do par dos sapatos.

Entrei na página da minha marca preferida; vi alguns modelos. Interessantes. Mas não fiz nenhuma compra. Entretanto surgiram outras tarefas, que exigiam a minha atenção e esqueci-me dos sapatos.

Mas os sapatos não mais se esqueceram de mim! Queriam, decididamente, vir parar aos meus pés.

Em qualquer página que abrisse lá estavam os sapatos. De olhos postos em mim. Por mais que tentasse ignorá-los, não passavam despercebidos. Namoravam-me! E eu, quase inconscientemente, namorava-os a eles.

Assim que entramos em rede, com objetivos definidos ou, simplesmente, para conversar com alguém, acabamos por clicar nisto e naquilo. Maquinalmente. Em produtos que nos despertam atenção.

Cada clique é uma pista. Uma pista para quem nos procura enquanto consumidores. Não é por acaso que, quando visitamos, frequentemente, determinadas páginas a publicidade aos produtos dessa marca, começa a desfilar, insistentemente, na tela do nosso computador.

O nosso clique funciona como um alerta. Como um sinal de que estamos à procura de um produto e/ou serviço que esperamos encontrar ali; e aí começa a “perseguição” subtil mas persistente do par de sapatos que eu tanto queria.

Mas, além dos sapatos também já me persegue uma pochete a condizer com os sapatos. Confesso que além de ter entrado na secção de sapatos também visitei, por curiosidade, a secção dos acessórios.

Ao entrar na secção de acessórios, ainda que não tenha visto nada em específico, deixei outra uma pista. Eu poderia querer algo mais do que um par de sapatos. Que grande oportunidade para a marca criar na minha consciência a ideia de que preciso de uma pochete a condizer com os sapatos.

No mundo virtual, este tipo de jogadas por parte das marcas, é recorrente e bastante eficaz. Somos nós que procuramos os seus produtos e/ou serviços, ou porque já os conhecemos ou porque vimos alguma coisa que nos chamou atenção. Somos nós que lhe dizemos aquilo que queremos, que gostamos e que esperamos ou que, em última instância, poderíamos gostar de ter.

Assim que percebe as nossas intenções, que vão ficando marcadas em cada clique, a marca procura, de imediato, satisfazer os nossos desejos. E, prestável, vai mais longe. Apresenta-nos aquilo que não procurámos, directamente, mas que pode, facilmente, virar uma necessidade.

Eu só queria um par de sapatos pretos, altos e elegantes, mas aquela pochete não me sai da cabeça.

Vera Ribeiro

Vera Ribeiro

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