O que é o Google Mobile First e porque deves adaptar o teu site

José FreitasSEO, Websites

O que é o Google Mobile First e porque deves adaptar o teu site

“Como se não fosse suficiente o RGPD, agora é também o Google Mobile First a exigir a atenção dos administradores e gestores de sites. Daqui a pouco não fazemos mais nada…”

Sim, compreendemos o teu desabafo. Estes têm sido tempos de muitas mudanças e, ao que tudo indica, ainda não acabaram.

Mas deixemo-nos de lamentações, porque estas não fazem o trabalho por nós.

O RGPD tem de ser implementado porque é uma lei (e se tiveres uma loja online prepara-a com particular cuidado).

O Google Mobile First tem de ser respeitado porque… é a Google que recomenda.
É o suficiente, não é?

Na verdade, podes nem sequer ter muito com que te preocupar. No entanto, mesmo na melhor das possibilidades, deves ter uma atenção particular a alguns detalhes para evitares sair prejudicado.

Vamos lá contextualizar…

O que é o Google Mobile First

O Google Mobile First é a resposta ao Google ao facto do consumo de internet em dispositivos móveis (smartphones e tablets) ter ultrapassado os computadores. No global do planeta, essa alteração já tens uns anos.

O tráfego de internet em mobile no mundo é superior ao tráfego via computador desde, pelo menos, 2016

O tráfego de internet em mobile no mundo é superior ao tráfego via computador desde, pelo menos, 2016

 

Em Portugal, os computadores ainda ocupam a liderança mas com um crescimento progressivo e acentuado dos terminais móveis.

Segundo a Marktest, em Novembro de 2017 cerca de 44 por cento do uso de Internet em Portugal era feito através equipamentos móveis: smartphones (39%) e tablets (5%).

Em Portugal, em Novembro de 2017, o tráfego via mobile ainda não tinha ultrapassado o desktop

Em Portugal, em Novembro de 2017, o tráfego via mobile ainda não tinha ultrapassado o desktop

 

Os números da StatCounter são um pouco diferentes mas revelam o acentuado crescimento dos equipamentos móveis.

 

O uso de Internet em mobile continua em crescimento em Portugal

O uso de Internet em mobile continua em crescimento em Portugal

 

Desde que o crescimento do acesso móvel à Internet deixou de ser uma tendência e passou a ser uma certeza, a Google colocou, entre as suas prioridades, a aposta numa internet mais adequada para os equipamentos móveis.

Primeiro vieram as recomendações para a criação e adaptação de sites responsivos e que sejam amigos dos smartphones. Agora, chegou a nova etapa…

Agora surgiu o Google Mobile First

Em rigor já estava a ser preparado e em testes desde o final de 2016. A meio do percurso a Google começou a penalizar, nos resultados, sites que não ofereciam um experiência móvel adequada.

Tudo a preparar o caminho para a decisão anunciada no final de Março de 2018, quando o Mobile First começou a ser implementado de forma progressiva.

O nome já ajuda a entender o objectivo do maior motor de busca da internet: atribuir prioridade à vertente mobile dos sites na sua indexação.

Traduzido por miúdos e usando a própria definição da Google:

A indexação Mobile-first significa que o Googlebot irá usar a partir de agora a versão mobile do teu site para indexação e classificação, para melhor ajudar os nossos (principalmente em equipamentos móveis) utilizadores a encontrar o que precisam. Os sistemas de rastreamento, indexação e classificação do Google têm usado, historicamente, a versão para computador do conteúdo do teu site, o que pode causar problemas para os utilizadores em mobile quando a versão para computador difere da versão para mobile.
Ora, explicando através de um exemplo prático: Imagina que fazes uma pesquisa na internet, usando o Google ou um browser que use o seu motor de busca. Os resultados que vais obter são, com esta actualização, aqueles que resultarem da indexação e classificação das páginas das versões para mobile dos sites.

Um índice ou dois índices?

Um índice. Ponto.

Não interessa se a tua pesquisa é feita num computador, num smartphone ou num tablet. A Google tem apenas um índice que apresenta os resultados.

O que significa isto? Se o teu site não estiver preparado, aos poucos vais perder visitantes que resultem das pesquisas no motor de busca.

Pode não ser já, no imediato, mas é algo que vai acontecer.

Como explica o Moz, “chama-se ‘mobile-first’ porque não é ‘apenas mobile’: por exemplo, se um site não tiver uma versão adequada a mobile, o site para computador ainda será incluído na indexação. Mas a falta de uma experiência amigável do mobile irá provocar um impacto negativo na classificação do site e um site com melhor experiência mobile poderá receber um incremento na classificação, mesmos nas pesquisas feitas em computador”.

Este quadro da Moz ajuda a perceber o que a Google faz

Este quadro da Moz ajuda a perceber o que a Google faz

 

Para te ajudar a preparar o teu site WordPress vamos apresentar algumas recomendações, para que não percas visitantes para os teus concorrentes.

O que precisas fazer para agradar ao Google Mobile First

O que precisas fazer para agradar ao Google Mobile First depende, em concreto, do que fizeste até aqui.

  • Se seguiste as práticas recomendadas pelas Google ao longo do tempo e tens um site optimizado para mobile e responsivo, estás numa boa posição. Mas podes sempre melhorar;
  • Se, por outro lado, não tens um site devidamente apto a corresponder às necessidades de um utilizador em mobile, precisas de agir já;
  • Se tens versões diferentes do teu site, uma para computadores e outra para equipamentos móveis, será esta última a ter preferência junto da Google. Neste caso tens de conferir se a versão mobile é tão boa ou melhor que a outra. Também precisas de agir já. A Google encara cada uma destas versões como sendo diferentes e vai atribuir prioridade à mobile, sendo que esta deve corresponder às boas práticas recomendadas, incluindo no conteúdo (mais sobre isso em breve).

Vamos a isso…

Para começar, testa o nível de compatibilidade do teu site com os dispositivos móveis. Depois, regressa aqui. Tem em conta que o teste funciona ao nível da página e não do site. Por isso, se tens diversos modelos de páginas, deves testa-los a todos.

Já está? Continuemos…

Se usas WordPress com um tema moderno e responsivo, estás num bom ponto de partida para enfrentar este momento.

Como em muitas outras coisas, cada caso é um caso.

No entanto, há alguns aspectos que se aplicam a todos:

  • Optimiza as imagens para carregarem rápido em mobile;
  • Faz um site o mais rápido e com a melhor performance possível (mais sobre isto daqui a pouco);
  • Testa regularmente o teu site para avaliar a sua compatibilidade móvel;
  • Se ainda tens algo em flash no teu site, vê-te livre disso;
  • Se usas pop-up em mobile, remove-os e usa-os apenas em computador;
  • Se usas sliders ou galerias de imagens em carrousel, repensa a sua utilização, em particular em mobile.

Entretanto, não fiques por aqui.

Além de precisares de ter um site adequado, preocupa-te igualmente em ter um site optimizado para dispositivos móveis.

Este é um aspecto que vai para lá das questões de ordem técnica e exige uma atenção muito particular à forma como deves criar e apresenta os conteúdos do teu site. Sempre numa perspectiva do ponto de vista do utilizador em dispositivos móveis.

Teste se as páginas do teu site são amigas dos equipamentos móveis

Teste se as páginas do teu site são amigas dos equipamentos móveis

 

Analisa a estrutura do teu site

Os utilizadores em mobile têm, por norma, um comportamento diferente daqueles que visitam um site em computador. Pensa na estrutura do teu site, incluindo os menus, caixas, tipo e tamanhos das fontes com os olhos de um visitante em mobile.

À partida sabes umas quantas coisas:

  • os ecrãs são mais pequenos;
  • muitas das pessoas estão em movimento;
  • muitas das pessoas estão no exterior, onde a luminosidade representa um papel importante;
  • outras pessoas têm pressa;
  • outras ainda têm um menor índice de concentração, porque estarão em sítios com distrações;
  • não há muita vontade de andar a passear entre links.

A navegação deve ser simples e coerente. Sempre que usares ícones, faz com que sejam devidamente reconhecidos.

Estabelece prioridades no conteúdo

Define a tua estratégia de conteúdo no teu site ou loja online. Olha para os textos, imagens, vídeos e analisa a melhor forma de os apresentares para consumo de quem está em equipamentos móveis.

  • Oferece parágrafos curtos e com espaços entre eles;
  • Usa cabeçalhos diferenciadores para as diversas secções de uma página ou artigo;
  • Usa um número de imagens equilibrado, como referencial podes usar 1 imagem por cada 300 palavras;
  • Usa listas com marcas (como esta) ou números para destacar informação importante.

O que sabes neste momento:

  • que, pelo menos para já, estes equipamentos têm menos espaço disponível;
  • que, tal como num computador, as pessoas vão primeiro observar o conteúdo da página antes de decidir se vão ler ou não.

Evita ainda, em particular na página inicial ou em landing pages, sliders ou vídeo em fundo. Aliás, dentro do possível, não uses sliders ou carrosséis em mobile. Ainda são bastante difíceis de fazer funcionar em mobile, tendo em conta a enorme variedade de tamanhos de ecrã, e não são uma boa experiência para os utilizadores.

Oferece letras generosas, espaço entre linhas, parágrafos curtos e com espaços entre eles

Oferece letras generosas, espaço entre linhas, parágrafos curtos e com espaços entre eles. Imagem: Apple

 

Assegura total usabilidade

Ainda a propósito do tamanho dos ecrãs… os dedos não são iguais a um ponteiro de um rato. Por isso cria links fáceis de clicar e botões fáceis de carregar. Estes devem andar entre os 7 e os 10 mm e com um espaço suficiente entre eles para evitar erros.

Outras recomendações:

  • mantêm o site o mais limpo possível, sem confusão e sem tralha (elimina aquilo que não é essencial, como faz a Ferrari para que os carros sejam rápidos);
  • usa um tamanho de letra claramente visível sem necessidade de fazer zoom;
  • usa um espaço entre linhas e entre palavras que seja generoso;
  • tem a certeza de um contraste elevado entre o fundo e os textos e gráficos e dentro dos próprios elementos gráficos.
  • lembra-te que 49% das pessoas (ainda) só usa o polegar para navegar.

Por fim, se tiveres formulários, pede o menor número possível de dados.

Quantos menos campos as pessoas tiverem de preencher, mais receptivas estarão a faze-lo. Não só porque menos campos significa menos cliques no teclado virtual do smartphone, mas também porque é mais rápido.

Oferece espaço para os cliques com os dedos. Imagem: Apple

Oferece espaço para os cliques com os dedos. Imagem: Apple

 

Cuidado com o tamanho dos metadados

Ao criares conteúdo e ao fazeres os respectivos títulos e descrições – a pensar no Google mas também nos utilizadores – prepara-os para o tamanho dos ecrãs mobile. Procura faze-los curtos.

Atribui ainda maior importância aos dados estruturados

Se o teu site usa dados estruturados, seguindo o Schema.org, verifica os fragmentos que são apresentados em mobile. Vê se correspondem ao que desejas. Se sim, excelente. Se não, muda o que for preciso. Para teres a certeza que tudo corre bem neste aspecto, usa a Google Search Console e a secção destinada aos dados estruturados. Podes ainda fazer testes na ferramenta de dados estruturados.

 

Analisa os dados estruturados com regularidade e resolve os erros

Analisa os dados estruturados com regularidade e resolve os erros

 

Velocidade, velocidade, velocidade

É escusado dizer que a velocidade de carregamento de um site é determinante. Não é de hoje, aliás.

Usa a tua própria experiência: durante quanto tempo tens paciência para esperar que um site carregue? Não creio que a tua resposta vá além dos 5 segundos (se tiveres um elevado grau de paciência e generosidade).

Quanto mais tempo demorar um site a carregar, maior é a probalidade do utilizador partir para outro.

Quanto mais tempo demorar o teu site a carregar em mobile, mais pessoas vão embora

Quanto mais tempo demorar o teu site a carregar em mobile, mais pessoas vão embora

 

A velocidade de carregamento de um site é também um dos elementos que o Google considera para fazer a sua classificação. Portanto, procura ter um site rápido e com boa performance para teres melhores resultados.

AMP ou não AMP

O Accelerated Mobile Pages (AMP) é uma tecnologia da própria Google, que permite acelerar a apresentação de conteúdos dos sites que a usam. É verdade que, na maior parte dos casos, permite um ganho considerável em termos de velocidade mas há alguns senãos…

O AMP remove um conjunto de elementos do site, incluindo…

  • do design,
  • javascript, como animações;

… e apresenta algumas limitações:

  • nos formatos de vídeo permitidos;
  • nos formulários.

Dependendo do teu projecto podes ou não ter interesse em implementar já o AMP no teu site.

Se, para já, a resposta for ‘não’, vai acompanhando o desenvolvimento da iniciativa e adere logo que considerares estarem reunidas as condições para o teu site.

Se decidires avançar já, fica a saber que há um plugin oficial de AMP para WordPress.

Percebe qual a jornada do consumidor no teu site

Já contamos que ninguém tem paciência para sites lentos e, se for em mobile, ainda menos.

Mas não chega tornar o site rápido. Por muito rápido que seja, se as pessoas tiverem de passear por diversos locais até chegarem ao que pretendem, é provável que se vão embora. Para o site do teu concorrente.

Por isso, além de precisares de uma boa estrutura, e eventualmente de um menu específico para mobile, deves conhecer a jornada do consumidor dentro do teu site.

Procura entender qual a intenção do utilizador, em particular quando chega via pesquisa Google, e evita coloca-lo aos saltos entre links, algo que provavelmente não irá fazer. Isso só o irá confundir e frustrar.

Se isto significar a necessidade de uma profunda remodelação da organização do site e das páginas, então seja…

Conclusão

Se a Google é uma importante fonte de tráfego para o teu site, loja online ou negócio, não podes fugir ao Google Mobile First. Ainda não é mas desejas que o teu site seja bem classificado pela Google? Também não podes fugir destas exigências.

Logo, o melhor é seguir as recomendações da Google.

Caso contrário, os teus concorrentes vão ocupar um espaço que poderia ser o teu. Já contabilizaste quanto dinheiro irás perder, se isso acontecer?