Resoluções de ano novo? Esquece

2015

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Estás a ver aquelas famosas resoluções de ano novo? Sim, do género “vou deixar de fumar”, “vou emagrecer”, “vou correr todos os dias”, “vou ler mais”, entre outros? Esquece. Esquece já.

Aliás, a esmagadora maioria não passa dos primeiros dias ou mesmo do plano das intenções. Aquelas que passam e que consegues realizar foram bem sucedidas porque quiseste e não porque eram resoluções de ano novo.

  1. A mudança do ano não tem nada de mágico. É apenas uma questão de calendário.
  2. Se queres mudar algo, estabelecer metas, definir objectivos com base numa data, é preferível que uses a transição de mês em alternativa à mudança do ano. Os ciclos temporais são mais curtos e aquelas “resoluções de mês novo” que ficarem por cumprir não se tornam tão penalizadoras.
  3. Na Kaksi Media adoptamos como “Receita de Ano Novo” o poema do brasileiro Carlos Drummond de Andrade. É uma delícia.

Bom 2015.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

José Freitas

José Freitas

Ajudo pequenas e médias empresas e empreendedores a criar estratégias online para conseguirem melhores clientes, através da comunicação relacional. Na minha vida passada fui jornalista durante 25 anos. A comunicação é a minha praia. Viciado em café intenso e aromático.

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