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O multitasking é uma treta

Multitasking

Há mesmo quem acredita que é possível fazer multitasking com qualidade. Eu conheço algumas pessoas. Eu já fui uma dessas pessoas. Isto é, há quem acredite que é capaz de fazer mais que uma actividade de forma concentrada, empenhada, atenta e com resultados positivos.

Há quem pense que não. Sou, agora, um deles. O multitasking é um mito. Uma treta.

Podes até pensar que estás a produzir mais trabalhando em diversos aspectos daquilo que tens para fazer. Uma espécie de ‘get things done’ em várias frentes.

Como aqueles treinadores de clubes de futebol que lembram os adeptos que as suas equipas estão em “três frentes” ou “quatro frentes”. Acontece que as mesmas personagens passam a vida a lembrar que o próximo jogo é o mais importante e que no futebol vive-se jogo a jogo. Eles já perceberam que o multitasking dá maus resultados.

Além dos potenciais danos que causa ao cérebro, o problema de fazer diversas coisas ao mesmo tempo é que acaba por levar ao aumento do tempo que uma tarefa demora a ser concluída e aumenta a provabilidade da ocorrência de erros. Além da qualidade do trabalho diminuir de forma considerável.

E não, não há excepções. Nem para ti, nem para uma qualquer actividade. Todos nós pensamos que neste aspecto somos uma excepção à regra. Lamentamos, mas não.

Multitasking é uma espécie de santo graal dos nossos tempos, em que parece haver cada vez mais para fazer, cada vez mais solicitações (ou obrigações) e cada vez menos tempo.

Por isso queremos adoptar estratégias que, pensamos, nos permitem fazer mais no mesmo espaço de tempo. Que assim seremos mais produtivos, que conseguimos ‘despachar’ mais depressa. Despachar talvez seja a palavra correcta. Despachamos mais mas mal. O que provoca, na maioria dos casos, a necessidade de refazer tarefas. Noutros casos consumimos tempo extra a rever aquilo que foi feito.

O problema é que as coisas não se ficam por aqui, porque aquela matéria cinzenta que está no interior do nosso crânio também fica afectada. E isso não é bom.

Baseado em investigações, a psicóloga JoAnn Deak diz que o cérebro é apenas capaz de se focar de forma profunda numa tarefa de cada vez. Tentar fazer diversas coisas ao mesmo tempo provoca a perda progressiva de capacidades cerebrais, bem como da eficiência da concentração.

O cérebro não tem as ligações necessárias para fazer duas operações complexas ao mesmo tempo.

As crianças e os adolescentes são os mais vulneráveis a estas situações. O problema é que estamos a criar uma geração em que algo o que não é feito em multitasking é visto como um desperdício de tempo.

José Freitas

José Freitas

Ajudo pequenas e médias empresas e empreendedores a criar estratégias online para conseguirem melhores clientes, através da comunicação relacional. Na minha vida passada fui jornalista durante 25 anos. A comunicação é a minha praia. Viciado em café intenso e aromático.

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